
Depois de um sábado épico, a expectativa era que as bandas do domingo mantivessem o nível das apresentações. Entre Project46 e Visions of Atlantis, o repórter optou por Project46.
Pontualmente ao meio dia eles subiram ao Ice Stage com o vocalista Caio MacBeserra questionando se o público “estaria pronto para a sessão de descarrego do Project46”.
A apresentação dos caras é realmente isso: Um momento para você lavar a alma, esquecer os problemas, se identificar com as letras e cair no mosh. A intro de “Terra de Ninguém” já mostrava que o som seria muito pesado. Aliás, havia uma curiosidade sobre o som ao vivo da banda com apenas uma guitarra. Sem reclamações! O som do Project continua coeso e extremo.
Logo após essa introdução veio “Dor” do disco Doa a quem Doer. Uma surpresa! Confesso que esperava uma faixa do álbum Três, mas eles mandaram muito bem na escolha. "Impunidade" foi a próxima. Também do mesmo álbum.
Apesar da mudança da formação, a banda continua com a mesma garra e fome ao vivo. Caio andando de um lado para o outro e interagindo com o público o tempo todo. Na sequência ele pediu 5 minutos de “Violência Gratuita” para os headbangers. Um trocadilho para anunciar mais uma faixa do clássico Doa a Quem Doer.
As rodas se formavam em vários pontos do Memorial. Até porque o público ainda entrava no festival. “4Six” aqueceu o público para o hit que viria a seguir: “Rédeas” com seu refrão grudento, linhas vocais limpas. Talvez uma das faixas mais acessíveis do Project.
“Na Vala” ao vivo é uma avalanche sonora. Agressividade, brutalidade e uma banda que mostra fome pelo palco o tempo todo. A melhor do setlist veio logo a seguir “Erro +55”. Com todos cantando junto com Caio. Em um ano de eleições a faixa caiu como uma luva no repertório escolhido para o Bangers.
“Pode pá” foi o outro hit que fez todos cantarem e agitarem junto com a banda. Foi quando Caio sugeriu que todos se abaixassem e levantassem pulando junto com o riff. Ainda houve tempo para mandar somente o refrão de “Foda-se (Se Depender de Nós)” e “Acorda pra Vida”.
O Project vai muito bem obrigado. O show continua brutal! Agora falta saber como serão as músicas novas com essa formação.
Setlist
Dor
Impunidade
Violência Gratuita
4six
Rédeas
Na vala
Erro +55
Pode Pá
Foda-se (Se depender de nós)- Apenas o refrão
Acorda pra vida




Fotos @caiograca (redes sociais Project46)
A diversidade do Bangers Open Air é algo admirável e o público já se acostumou com isso. Depois da porradaria do Project era o momento de curtir um som mais tradicional e Power metal: Primal Fear!
O público, ainda não tão grande assim, se aglomerou para acompanhar o show da banda que também está com uma nova formação. A nova guitarrista Thalia Bellazecca com certeza foi um show a parte. Além de talentosa e muito técnica mostrou muita simpatia sorrindo e interagindo com os headbangers o tempo todo.
“We Walk Without Fear” do álbum Rulebreaker, clássico de 2016, foi a escolhida para abrir o show. O som estava impecável mais uma vez. A faixa traz riffs certeiros e um andamento que te incentiva a bater cabeça no ritmo da música. Bem true!!!
“Destroyer” e “I Am The Primal Fear” foram as próximas . Ambas do álbum Domination. A banda mostrou muito entrosamento e precisão enquanto Ralf Scheepers conduzia o público com maestria. Ao vivo, o cara é realmente muito bom. Uma voz limpa, potente e que alcança tons mais altos sem muito esforço.
“Nuclear Fire” foi a mais Power metal do setlist. Considerando que o Angra era o headliner da noite foi bem normal ver a maioria do público empolgado com as bandas mais melódicas.
“Seven Seals, “The Hunter”, mais uma do Domination, empolgaram demais os headbangers que pareciam nem ligar para o sol que já fritava todos. Ainda houve tempo para faixas como “The End Is Near” e “Chainbreaker” até fecharem com a maravilhosa “Metal Is Forever”. Clássico do álbum Devil´s Ground.
Foi bom demais ver que o Primal Fear continua firme e compondo músicas novas que ainda interessam ao público. Voltem logo!
Setlist
We Walk Without Fear
Destroyer
I Am the Primal Fear
Nuclear Fire
Seven Seals
The Hunter King of Madness
The End Is Near
Chainbreaker
Metal Is Forever




Fotos @diegopadilha / MHermes Arts - Instagram bangers)
Uma das bandas mais aguardadas viria logo a seguir no Ice Stage. Era o momento de conferir a nova formação do Nevermore. E que show!!! Assim que Jeff Loomis subiu ao palco e mandou os primeiros acordes da maravilhosa “Narcosynthesis” já era possível sentir a empolgação de todos. E principalmente: como o Nevermore fez falta!!!
O turco Berzan Önen tem a missão de substituir Warrel Dane. A voz dele tem um timbre próximo a de Warrel e ele se mostra muito fiel as gravações. Ao menos no show, não pareceu que quisesse colocar sua própria identidade nas músicas. Provavelmente, até por respeito e reverência a Warrel, se mantém bem próximo as linhas vocais originais.
Usando uma camiseta do Brasil ,o cara se mostrou muito carismático também e agitou demais durante toda a apresentação. Foi aprovado por todos!
O show foi cheio de clássicos como “Enemies of Reality”. Talvez um dos grandes hits da banda e que permanece matadora com essa formação.
“The River Dragons Has Come” abriu caminho para outro hit “Beyond Whitin”. A galera pirou!! Provavelmente, foi a mais comemorada do set list.
O guitarrista Jack Cattoi e o baixista Semir Özerkan também mostraram que foram ótimas escolhas. A nova formação do Nevermore promete demais! “Inside Four Walls” e o melhor refrão da banda foi cantado pelo, agora sim, bom público que comparecia ao Bangers.
“Engines of Hate” e “My Acid Words” anunciavam que o show se aproximava do fim. “Born” encerrou com chave de ouro um show incrível e que deixou todos satisfeitos e ansiosos pelos próximos passos do Nevermore.
Setlist
Narcosynthesis
Enemies of Reality
The River Dragon Has Come
Beyond Within
Inside Four Walls
Engines of Hate
My Acid Words
Born




Fotos @raphagarcia MHermes artes - Instagram Bangers
Um dos grandes show do Bangers veio a seguir: Amaranthe. O Hot Stage lotou no show dos suecos que abriram a apresentação com a excelente “Fearless” do álbum Manifest. Talvez o melhor da banda.
O Amaranthe conseguiu algo dificil: trazer novos elementos para o Power metal. Com um som moderno, muitas vezes eletrônico, e influências de música pop entregam um show pesado e, ao mesmo tempo, muito divertido. Uma prova disso foi ver todos sorrindo e cantando ao som de hits como “Viral” e “Digital World”.
“Damnnation Flame” do álbum The Catalyst foi muito bem ao vivo. Os 3 vocalistas mostraram muito entrosamento e técnica ao revezar os versos sem deixar nenhuma lacuna. Vacilo 0!!!
A essa altura Elyze já sentia o forte calor. Em uma certa altura ela sentou no palco enquanto cantava. Pareceu não estar totalmente à vontade por conta da fritura provocada pelo sol. Mesmo assim, se manteve firme e logo levantou para continuar arrebentando.
“PvP”,“Strong” e The Catalyst” foram mais algumas que se destacaram no setlist. Não deixaram o novo single “Chaos Fury” de fora. Aliás, uma constante nessa edição do Bangers foi ver o público empolgado também com as músicas novas apresentadas pelas bandas. Algo muito positivo!!! No show do Amaranthe isso foi ainda mais perceptível.
O ponto alto foi a balada “Amaranthine” em que Elyze foi o destaque com seu timbre lindíssimo e interpretação única. O guitarrista Olof não perdeu a oportunidade de ter seu momento ao solar na rampa. Pertinho do público.
Nils Molin responsável pelos vocais limpos também é o mais comunicativo enquanto Mikael Sehlin, dono dos guturais, traz a brutalidade necessária para o som da banda.
“Archangel”, “That Song” e “Drop Dead Cynical” foi a trinca final de um show memorável. O Amaranthe precisa visitar o Brasil mais vezes. Os caras fazem um showzaço!
Setlist
Fearless
Viral
Digital World
Damnation Flame
Maximize
PvP
The Catalyst
Chaos Theory
Amaranthine
The Nexus
Call Out My Name
Archangel
That Song
Drop Dead Cynical




Fotos @raphagarcia MHermes Arts - Instagram Bangers
Hora de correr para o Waves!!!! Se tem uma banda nacional que merece ser vista é a Malvada. A banda faz um hard rock, coeso, moderno, pesado e com diversas influências.
Mesmo com a baixa que sofreram com a saída da vocalista Angel Sberse e a baixista Marina Langer, a banda se reinventou, encontrou novas integrantes e lançou um segundo disco auto intitulado que não apenas superou o álbum de estreia, mas também elevou o patamar de som da Malvada.
Já no palco , a banda executava “Rock n Roll Girl” faixa mais recente e que fala sobre o protagonismo das mulheres do rock. Bruna Tsuruda é uma das grandes guitarristas da nova geração e mandou um solo incrível. Hipnotizante! Dá para notar muita influência de Classic Rock.
“Fear” foi o grande destaque do setlist. Essa música foi um divisor de águias na carreira delas. Trouxe um som mais épico, pesado e elementos que fizeram muito bem para a sonoridade das meninas. Ao vivo ficou incrível.
Indira Castillo é uma vocalista talentosíssima e muito performática. Nasceu para o palco!!! Juliana Salgado é monstruosa com suas viradas lindíssimas e pegada única. Rafa Reoli traz o groove na medida certa e uma postura de palco certeira.
O setlist foi baseado no segundo álbum da banda e trouxe também “Aversão”. Uma música forte, com uma letra impactante e que ficou ainda melhor ao vivo. Que arranjo bem construído!!!!
Depois de um solo rápido de batera da monstruosa Juliana Salgado ainda houve tempo para as pauladas “Down the Walls” e “Bulletproof”.




@biancatamyia MHermes Arts - Instagram Bangers
Depois de uma boa caminhada de volta aos palcos principais era o momento de prestar muita atenção no Hot Stage já que Smith e Kotzen se apresentariam em instantes.
O que se viu foi um som mais rock n roll do que metal e com dois dos melhores guitarristas da história do rock juntos sem nenhum ego. Ambos tiveram seus momentos de brilhar. Tanto tocando como cantando. Aliás, a habilidade de Kotzen como vocalista já eta conhecida, mas Adrian Smith surpreendeu com um timbre de voz bonito e que soa muito bem ao vivo. Bruno Valverde, já conhecido no Angra e a baixista brasileira Julia Lage completam a banda.
O show começou com a ótima “Life Unchained” do disco mais recente Black Light / White Noise. A sonoridade do projeto varia entre o rock n roll tradicional, hard rock e até algumas pitadas de Blues. Bruno se mostrou muito à vontade tocando um material mais rock n roll. O que mostra versatilidade do brasileiro.
“Black Light”, também do álbum mais recente foi uma ótima escolha com suas belas melodias e intro hard rock. “Wraith” trouxe riffs mais pesados e uma vibe setentista que foi muito interessante de conferir.
Apesar do show focar muito na performance dos guitarristas vale destacar que a banda inteira é muito boa. Julia mostrou uma performance de palco incrível e brincou com o público o tempo todo.
“Taking My Chances” foi uma das melhores com Kotzen mostrando todo seu talento também como vocalista. Outras faixas que merecem destaque são “Darkside” “Running” e, principalmente, “Scars” Belissima!!!!
A banda ainda preparou um final para encerrar em grande estilo “Wasted Years” do Iron Maiden com Adrian nos vocais. Um final épico!!!
Setlist
Life Unchained
Black Light
Wraith
Blindsided
Taking My Chances
Darkside
Got a Hold on Me
White Noise
Scars
Running
Wasted Years




Fotos @bel.santosfotografia Instagram Bangers
Pouco depois foi a vez do Whitin Temptation. Após uma breve intro com direito ao titulo do disco Bleed Out no telão, a banda entrou com tudo mandando a faixa “We Go To War”. Sharon subiu ao palco com uma máscara e uma espécie de coroa. Algo bem conceitual.
Mostrando o carisma e a competência vocal de sempre conquistou todos headbangers logo de cara. A produção de palco foi bem menor do que da última vez que tocaram no festival . Naquela ocasião foram headliners.
“The Howling” surpreendeu a todos já que não tem sido uma música muito lembrada pela banda. Soou muito bem ao vivo novamente. “Stand My Ground”, “Bleed Out” e “Ritual” foram as próximas. O publico não pareceu se importar com o fato de ser uma banda repetida no lineup. Pelo contrário, comemoraram o fato de estarem presenciando um show do Within Temptation novamente.
Outra novidade no setlist foi “The Heart of Everything” que resgataram especialmente para o show do Bangers. “Faster” talvez seja o grande hit da banda já que bastou anunciar o titulo para todos comemorarem. “Paradise” (What About Us)” com imagens de Tarja Turunen no telão foi mais um destaque do setlist. Encerraram com a excelente apresentação com a clássica “Mother Earth”.
Valeu a pena ver a banda novamente. Que voltem mais vezes.
Setlist
We Go to War
The Howling
Stand My Ground
Bleed Out
Ritual
In the Middle of the Night
The Heart of Everything
Faster
Wireless
Lost Forsaken
Paradise (What About Us?)
Don't Pray for Me
Ice Queen
Mother Earth




Fotos Redes sociais Within Temptation
O Bangers estava quase no fim, mas ainda havia gás de sobra para conferir a tão sonhada e aguardada “Angra Reunion”. Duas baterias no palco já mostravam que havia algo especial sendo preparado.
Um telão com imagens de toda história e evolução da banda foi exibida até a formação atual, com Alirio Neto, mandando a clássica “Nothing to Say”. Toda a produção exibida no telão com referências a discos e à história da banda foi um show a parte.
O Angra também não economizou na pirotecnia com chamas em várias partes do palco. Além de competente, Alirio tem muito carisma. Foi a escolha certeira para dar sequência a essa história.
Angels Cry fez o Bangers tremer em mais uma performance impecável de Alirio. Após uma breve pausa Fábio Lione se juntou à festa, substituindo Alirio por alguns minutos, para sua despedida que trouxe “Tide of Changes”, “Lisbon” e “Vidas Secas”. Vale ressaltar que foi a parte mais morna da apresentação.
Com Alirio de volta ao palco foi o momento de resgatar a versão do Angra para “Wuthering Heights” que há muito tempo não era executada. Após a saída de Andre Matos, esse som foi executado poucas vezes e com participação de Tarja Turunen. Alirio mandou muito! A épica Carolina IV encerrou a primeira parte do show.
Na sequência houve algum suspense e as luzes focaram inteiramente na bateria gigantesca de Aquiles Priester. Os 5 estavam juntos novamente: Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester enfileirados e abraçados saudaram o público do Bangers Open Air.
Nova Era!!!! Com direito a pirotecnia e alguns fogos na intro!!! Não havia uma única pessoa que não estivesse emocionada e muito feliz nesse momento. Um dos grandes clássicos dessa fase sendo tocada novamente por esses 5 caras! Épico!
“Waiting Silence” do maravilhoso Temple of Shadows foi executada com perfeição. Vale ressaltar a belíssima performance de Edu durante o show. Mandou muito bem em todas as músicas. Enterrando de vez questões sobre a qualidade de sua voz.
“Milenium Sun” foi outra em que Edu mostrou muita segurança e qualidade vocal. A banda toda se mostrou muito empolgada. O público sabia que se tratava de uma noite especial. Cada minuto era aproveitado ao máximo.
Teve até um lado b: “Ego Painted Grey” foi uma grata surpresa no setlist. “Bleeding Heart” com Edu dando liberdade para as pessoas cantarem a versão do Calcinha Preta foi um momento de bom humor e emoção.
“Spread Your Fire” chegou como uma voadora no peito de todos. “Acid Rain” e “Rebirth” com Edu pedindo para todos “voltaaaaaaaarem no tempo junto com ele”, assim, como no DVD Rebirth, preparava o público para o que viria a seguir.
“Silence and Distance”! Com a voz do maestro Andre Matos gravada e cantando a intro. Uma sacada genial e homenagem lindíssima. A foto de Andre Matos exibida no telão criou o clima perfeito. Foi executada com a formação atual e Edu Falaschi. Bruno Valverde voltou ao palco nesse momento enquanto Aquiles voltaria depois para o”Gran Finale”. “Late Redepntion”com Alirio e Edu revezando os vocais ficou incrível!!!
Com todos do Angra Reunion de volta ao palco era o momento de mandar “Carry on”!!!!
Duas baterias, três guitarristas e três vocalistas. Foi assim que o Bangers Open Air foi encerrando. Com direito a mais pirotecnia e emoção.
O Angra mostrou que uma história tão rica, duradoura merecia um show especial e desse nível. Parabéns ao Bangers Open Air e aos integrantes que mostraram maturidade para resolver todas as questões e proporcionaram esse momento único a quem esteve presente.
Setlist
Act I
Nothing to Say
Angels Cry
Tide of Changes
Lisbon
Vidas Secas
Wuthering Heights
Carolina IV
Act II:
Nova Era
Waiting Silence
Millennium Sun
Heroes of Sand
Ego Painted Grey
Bleeding Heart
Spread Your Fire
Acid Rain
Rebirth
Act III:
Silence and Distance
Late Redemption
Unfinished Allegro
Carry On
Gate XIII




Fotos @rkarelisky
A cada ano o Bangers Open Air melhora: Todos os shows começaram de forma pontual novamente.
Tudo funcionou muito bem em todos os palcos, desde som à iluminação. Boas opções de alimentação e as áreas do fest muito bem divididas e organizadas.
A edição 2026 foi um sucesso e o festival já está confirmado para 2027: 24 e 25 de abril. Detalhe: Parte dos Blind Tickets já estão esgotados. Garanta o seu: www.clubedoingresso.com.
Estaremos lá!!!