PAPO METAL ENTREVISTA : KRAD

O KRAD vem ganhando destaque com lançamentos consistentes e uma identidade sonora marcante. Em entrevista ao Papo Metal, o projeto fala sobre suas músicas recentes, influências e planos para o futuro.

1) Vocês começaram recentemente uma sequência de lançamentos poderosos, como “Scarborough Fair” e “The War”. Como vocês escolheram essas músicas como single e o que cada uma representa para o projeto?

“Scarborough Fair surgiu de uma vontade de reinterpretar um clássico — algo com peso histórico, que dialogasse com o universo do rock.

O mais interessante é que essa música é originalmente uma canção folclórica e anônima, o que traz uma aura de mistério que conversa muito com o meu trabalho.

Já ‘The War’ representa um outro lado do projeto, mais direto e contemporâneo. É uma faixa que carrega mais peso e urgência, tanto musicalmente quanto na mensagem. Ela traduz bem a intensidade do KRAD e essa ideia de conflito interno e externo que acaba atravessando várias das minhas composições.”

2) O clipe de “Visualize” explora temas como tristeza e exaustão mental — quais experiências pessoais ou coletivas inspiraram essa letra?

“Visualize nasceu de um lugar bem interno, de momentos de desgaste emocional e mental que, acredito, muita gente acaba vivendo em algum momento. Não é sobre um episódio específico, mas sobre um acúmulo de sensações; cansaço, pressão, ansiedade e aquela sensação de estar meio perdido dentro da própria mente.

A letra traz um pouco dessa tentativa de entender e lidar com esses sentimentos, transformando isso em algo que as pessoas também possam se identificar. Acho que, no fim, é uma forma de dar voz a algo que muitas vezes fica guardado.”

3) A sonoridade do KRAD mistura hard rock, rock alternativo e elementos modernos com arranjos densos. Como vocês definiriam esse som em poucas palavras e quem são suas maiores influências? Contar com a expertise do talentoso músico Rogério Vaz colaborou com a obra de que maneira?

“Nós, como músicos, estamos sempre ouvindo artistas de diferentes estilos, épocas e referências. Nosso som acaba sendo uma soma disso tudo — hard rock, rock alternativo e elementos mais modernos, com bastante atenção aos arranjos e à atmosfera.

Hoje não existe uma influência única ou específica que defina o KRAD. Já houve um momento em que eu, como vocalista, me apoiava mais em algumas referências diretas, mas atualmente isso se expandiu bastante. São muitas influências, de diferentes fases da música, que acabam se misturando naturalmente no nosso som.

Contar com a experiência do Rogério Vaz fez muita diferença nesse processo. Ele trouxe uma visão mais madura de produção, ajudando a transformar essas ideias em algo mais sólido, com identidade e direção artística bem definidas.”

4) As produções de vocês contam com profissionais renomados, como o engenheiro de som Brian Lucey. Como tem sido trabalhar com nomes externos ao núcleo da banda e como isso impacta a música?

“Trabalhar com profissionais experientes e reconhecidos internacionalmente, como o Brian Lucey, impacta diretamente o resultado final da música. São pessoas extremamente capacitadas, com uma bagagem enorme, que elevam o nível do projeto em todos os aspectos.

O Brian, por exemplo, já trabalhou com artistas como Arctic Monkeys, Ghost e The Black Keys, então ele traz uma visão muito refinada de som e de mercado. Isso aparece na forma como ele equilibra peso, clareza e dinâmica, sempre respeitando a identidade do artista.

Para nós, é uma oportunidade de aprendizado, mas também uma forma de posicionar o KRAD em um padrão internacional de qualidade. Esse tipo de colaboração agrega muito valor e ajuda a traduzir melhor a nossa proposta sonora.”

5) O trabalho visual das músicas tem tido destaque, com clipes bem produzidos — como vocês abordam a parte visual do projeto em relação ao musical? Como a IA auxilia nesse processo?

“O trabalho visual é uma parte muito importante do projeto e caminha junto com a música. O diretor dos clipes, Júlio Ideias, vem trabalhando intensamente para criar essas atmosferas e traduzir visualmente a identidade do KRAD.

A gente não pensa em seguir fazendo todos os clipes com IA, mas, para algumas músicas específicas, como ‘Visualize’, sentimos que funcionou muito bem. A IA acaba sendo mais uma ferramenta criativa, que usamos quando faz sentido dentro do conceito da música e da estética que queremos construir.”

6) A letra de “The War” reflete sentimentos de amor e cicatrizes emocionais profundas. Quais temas vocês mais gostam de explorar nas composições e por quê?

“Eu gosto de explorar temas mais profundos porque acredito que a música pode provocar reflexão e despertar sentimentos nas pessoas. Sempre tento trazer algo que faça quem está ouvindo pensar ou se conectar de alguma forma.

Muitas das letras acabam vindo de experiências que eu vivi em algum momento da minha vida, transformadas em histórias e emoções dentro das músicas.”

7) Quais são os planos do KRAD para este ano em termos de shows, turnês ou novos conteúdos interativos com o público?

“Já temos algumas datas de shows confirmadas em São Paulo e estamos em uma fase intensa de planejamento para o ano. O foco é ampliar a agenda de apresentações e fortalecer a presença ao vivo da banda.

Ao mesmo tempo, estamos trabalhando na finalização do lançamento do primeiro álbum nas plataformas digitais, enquanto iniciamos o processo de gravação do segundo disco. A ideia é manter um fluxo contínuo de conteúdo e evolução do projeto ao longo do ano.”

Foto: Divulgação/ Paty Sigiliano

Entrevista Isabelle Miranda